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quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de Maio – Dia Nacional de Luta Contra o Racismo

racismo_nao

Racismo a Brasileira
Sempre que se fala em cotas raciais ou em políticas de ação afirmativa alguém argumenta que essas medidas aprofundariam o racismo em vez de combate-lo, ou ainda que a adoção de cotas raciais fere o caráter republicano da nossa constituição ao privilegiar alguns indivíduos apenas pela cor da sua pele,  argumento que, na verdade, pode estar escondendo o desconforto com a possibilidade de um branco ser preterido em favor de um negro, já que o contrário ocorre todos os dias sem causar tanta indignação.
Claro que muitas pessoas contrárias a política de cotas raciais _ incluindo mititantes de movimentos negros _ tem bons argumentos para defender essa posição, mas falar sobre desigualdades raciais no Brasil e sobre racismo ainda é mais fácil que falar sobre a adoção de politicas que diminuam essas desigualdades. Isso talvez seja reflexo do modo como o brasileiros encara o racismo praticado no país. Embora reconheça a existência do racismo ele mesmo, como indivíduo não se considera racista. 
Numa pesquisa realizada na cidade de São Paulo em 1988, 97% dos entrevistados disseram que não tinham qualquer preconceito de cor, mas 98% disseram conhecer alguém das suas relações (familiares, amigos) que tinham preconceitos de cor. Vinte anos depois, em 2008, outra pesquisa do Datafolha mostrou que a situação não mudou muito. 91% dos entrevistados brancos disseram que os brasileiros têm preconceito de cor com relação aos negros, mas apenas 3% deles admitiram ter preconceito contra negros.
O 13 de Maio deve ser aproveitado para repensar essa nossa sociedade, multicolorida nas ruas, mas desconcertantemente branca nos melhores empregos, na TV, na moda, na política, nos altos cargos de empresas públicas e privadas e nos altos indicadores de nível social e econômico.

6 comentários:

Thiago Leite disse...

Um verdadeiro dossiê 13 de maio. :)

Esse tipo dado, que mostra que o brasileiro não quer ser racista, foi uma das coisas que me fizeram mudar minha postura. Quando menor, eu dizia que não era racista. A partir da adolescência em diante, passei a reconhecer meu próprio racismo. Mas é muito difícil não se deparar no dia-a-dia com expressões pejorativas e, aqui e acolá, com injúrias e ofensas físicas.

O chato é que, em muitas situações, o antirracismo precisa ser "acionado". È algo automático, mas não natural. Precisamos guiar as próximas gerações para que que a "raça" não implique em qualquer desigualdade de tratamento, para que qualquer traço físico seja despercebido naturalmente, assim como a gente não faz (não sempre) discriminação entre duas pessoas que têm cabelo de cor diferente ou olhos de cores diferentes.

Ô tema complicado...

Agnaldo disse...

Tá, ninguém tem preconceito de cor, mas acredita que fora ele todas as outras pessoas tem preconceito de cor? Será que isso não tem a ver com a influência da televisão? Será que de tanto tentarem convencer o brasileiro de que ele é racista ele acaba acreditando que é verdade. Ele vê racismo na televisão, nas novelas e nos jornais e pensa: Eu não sou racista, mas parece que todo mundo é.

Eu não conheço ninguém que tenha preconceito de cor e acredito que a grande maioria dos brasileiros também não tem, mas a televisão passa outra impressão. A pergunta que eu faço é: Por que? Quais os interesses por trás disso?

Sem querer ofender mas penso que que acredita nessa história de que somos um país país tão racistacomo toda a imprensa tenta convencer que somos é um tanto ingênuo demais.

Claudemir Mazucheli disse...

É nosso dever fomentar o debate sobre o racismo no Brasil. Somos precursores de um racismo velado mas observado na desigualdade salarial do mercado de trabalho, nas piadinhas humoristicas da TV e principalmente nos assassinatos praticados pelas polícias nos quatro cantos do país. (a folha de São Paulo hoje - 16.05 - trata os assassinados dos motoboys negros por policiais como um "preconceito à motoquairos")

Eduardo Prado disse...

Thiago, é realmente um tema complicado, muito.

Quase um dossiê? Sabe que eu não tinha pensado nisso. Não tive a intensão de publicar três posts consecutivos sobre o tema, mas uma amiga pediu para publicar um texto dela e este puxou um outro meu, além deste último que já estava programado.

Apesar de complicado, acho que essa discussão pode fazer muito bem para nossa sociedade. Mesmo que ela ainda não seja capaz de resolver esse problema, só o fato de reconhecer que ele existe já é uma prova de maturidade. Pode não ser suficiente, mas já é alguma coisa.

Eduardo Prado disse...

Agnaldo,

"Será que isso não tem a ver com a influência da televisão? Será que de tanto tentarem convencer o brasileiro de que ele é racista ele acaba acreditando que é verdade. Ele vê racismo na televisão, nas novelas e nos jornais e pensa: Eu não sou racista, mas parece que todo mundo é."

Isso é sério? Se for, me desculpe, Agnaldo, mas o ingenuo aqui parece ser você.

Segundo o IBGE, os brancos representam hoje, em 2010, cerca de 48% da população brasileira. Menos da metade. Sabendo disso, só para usar o exemplo da tv citado por você, gostaria que respondesse as seguintes perguntas:

Quantos atores negros você vê atuando em novelas?
Quantos programas de auditário, de esportes, de videoclips musicais ou de telejornais são apresentados por negros?
Quantas modelos negras, ou modelos negros, você vê em comerciais para a tv?

Se depois de pensar nas respostas você não mudar de idéia, sinto muito, mas não tenho mais nada a lhe dizer.

Eduardo Prado disse...

Claudemir,

Concordo contigo. Devia ter estendido à você minha resposta ao comentário do Thiago. Permita-lhe reproduzí-lo navamente.

"Acho que essa discussão [sobre nosso racismo velado]pode fazer muito bem para nossa sociedade. Mesmo que ela ainda não seja capaz de resolver esse problema, só o fato de reconhecer que ele existe já é uma prova de maturidade. Pode não ser suficiente, mas já é alguma coisa."

Abraço!

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