
O prefeito Gilberto Kassab mostrou ser um homem de palavra. Pelo menos no que diz respeito a uma de suas promessas de campanha. Na ocasião prometeu, se eleito, manter a tarifa do ônibus em R$2,30 por dois anos. Levou a prefeitura e, como promessa é dívida _ neste caso a dívida foi com os empresários do setor _ os 7 milhões de paulistanos que utilizam o transporte coletivo todos os dias tiveram que pagá-la hoje com um reajuste de 17,4%, bem acima da inflação. É a tarifa mais cara do Brasil!
A manutenção do preço da passagem não foi resultado de uma política séria para o transporte coletivo e sim um acordo de conveniência entre o PSDB/DEMO e os empresários, dispostos a fazer qualquer concessão a permitir mais um mandato à Marta Suplicy, para quem o interesse da população esteve acima do interesse das empresas.
Esse acordo saiu caro para a prefeitura _ que desembolsou, só em 2009, quase quatrocentos milhões de Reais em subsídios para o transporte público _ e, mais ainda, para os usuários. Apesar de todo esse montante doado às empresas, o serviço só fez piorar. Quem utiliza ônibus, principalmente na periferia _ como os passageiros do coletivo superlotado da foto acima _ sentiu na pele os efeitos daquilo a prefeitura chama de “adequação à demanda”, que na prática significa a extinção de linhas e a redução da frota em circulação.
O resultado é que as ruas se enchem de carros, áreas verdes dão lugar a estacionamentos, vias marginais avançam sobre os rios que, quando chove, avançam sobre a cidade, enquanto os congestionamentos ultrapassam, há tempos, o limite do tolerável. Esse é o preço que a sociedade paga pelas escolhas que faz. Pensando bem, o preço é alto demais.
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