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domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro –10 anos


Uma das maneiras mais eficientes de representar a dimensão de um acontecimento é mostrar que as pessoas se lembram exatamente onde estravam e o que faziam no momento em que tudo começou. Como se os ponteiros do relógio tivessem parado naquele instante e voltassem a girar a partir de um novo marco. O dia dos ataques terroristas contra os EUA, em 11 de Setembro de 2001, é, quase sempre, representado assim, como um marco a partir do qual o mundo passaria a ser explicado em antes e depois. Durante um bom tempo foi comum ler em jornais e revistas que o que viria a ser o século XXI havia sido determinado ali.
É verdade que muita coisa mudou nestes dez anos e que muitas dessas mudanças – do meu ponto de vista, as piores _ , tem relação direta com os ataques, mas não todas. As guerras do Afeganistão e do Iraque _ com centenas de milhares de mortos _ se foram justificadas como resposta aos atentados, tem precedentes bem mais antigos nas muitas intervenções do Ocidente no Oriente Médio para o controle geopolítico da região, rica em petróleo. O sacrifício da liberdade individual em benefício de mais segurança, assim como o crescimento da xenofobia _ e de uma islamofobia mais forte ainda _ podem ser debitadas na conta do 11 de Setembro, mas também têm sido alimentadas pelo aumento do desemprego nos países desenvolvidos e pela instabilidade social decorrente. Vale lembrar que a crise atual, que começou em 2008, é resultado das políticas de desregulamentação dos mercados praticadas na Europa e nos EUA _ e não só por eles_ anos a fio. Os gastos militares com duas guerras simultâneas apenas agravaram a situação.
O mundo que vemos desenhar-se, ainda em linhas de difícil definição, talvez tenha pouca relação com o 11 de Setembro. Ao contrário do que se imaginava nos primeiros anos após os atentados, a promessa de um século americano não se materializou. A ascensão dos países emergentes, com destaque para a China, mas também Rússia, Índia e Brasil acontece ao mesmo tempo em que a Europa e os EUA enfrentam acelerado declínio. A crença na iminente vitória da democracia liberal nos moldes ocidentais, anunciada com entusiasmo por historiadores e sociólogos de renome não é mais levada a sério por ninguém e mesmo as certezas do capitalismo neoliberal, inquestionáveis até poucos anos, hoje escorrem pelo ralo da história. E o que dizer da Primavera Árabe que ninguém previu e deixou atônitos os governos ocidentais, impotentes diante da queda de seus aliados tiranos?
O que o11 de Setembro talvez tenha feito, isto sim, foi expor a vulnerabilidadede um Ocidente que ensaiava seus primeiros passos rumo a decadência, quando ninguém ainda parecia se dar conta disso.

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